Expectativas são positivas, mas há obstáculos a serem enfrentados como o impacto e a regulamentação da reforma tributária, eleições e uma possível alta na taxa de juros

O setor de turismo no Brasil chega à alta temporada 2025/2026 em uma trajetória de recuperação, e com expectativas de recorde. Hospedagem, bufês e restaurantes se destacaram com os maiores aumentos de receita. Para se ter uma ideia, entre janeiro e julho de 2025, o índice de volume de atividades turísticas registrou expansão de 6,1% em relação ao mesmo período de 2024. Os serviços de hospedagem e alimentação lideraram a geração de empregos formais: só no primeiro trimestre de 2025 foram abertas mais de 62 mil vagas com carteira assinada no turismo — 27.333 delas em alojamento e alimentação.

Em termos regionais, 14 das 17 unidades da federação pesquisadas apresentaram crescimento em 2025, com destaque para estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Ceará. O crescimento consistente do turismo no Brasil em 2025 foi impulsionado por diversos fatores combinados. Um dos mais importantes foi a expansão da malha aérea nacional e internacional, com mais assentos e voos para destinos populares, o que facilita a chegada de turistas nacionais e estrangeiros.

Expectativas e desafios para a temporada 2025/2026

Com base nos dados recentes, a expectativa é de que o Brasil registre uma das melhores altas temporadas dos últimos anos. Se mantidos os ritmos de crescimento e oferta, estados turísticos tradicionais, e até alguns emergentes, podem bater recordes em número de visitantes e receita gerada. Mas o otimismo vem acompanhado de desafios, pois é necessário garantir que a infraestrutura — transporte, hospedagem, serviços — esteja à altura dessa demanda crescente, para evitar problemas como superlotação, preços elevados ou saturação dos locais turísticos.

Mesmo diante de um cenário econômico pouco favorável, o setor de turismo segue em direção oposta e deve manter resultados expressivos ao longo de 2025. Segundo levantamento mensal da FecomercioSP, entre janeiro e julho do ano passado, o faturamento do setor cresceu 6,5% em relação ao mesmo período de 2024. O destaque foi o segmento de alojamento, que avançou 11,6% e movimentou pouco mais de R$ 16 bilhões.

A entidade, por meio de seu modelo estatístico de projeções, estima novos avanços para o turismo e a hotelaria em 2025 e 2026. As perspectivas são positivas: o turismo nacional deve crescer 5,5% em 2025 e 4,8% em 2026, mantendo uma sequência de recordes de faturamento, com possibilidade de atingir R$ 235 bilhões em 2026. No caso do alojamento, a projeção é de alta de 8,7% em 2025. Para 2026, o crescimento previsto é mais moderado, de 3,7%, levando o faturamento total a R$ 28,5 bilhões, o maior desde 2015, já descontada a inflação.

Para Orlando de Souza, Presidente-executivo do FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, o desempenho da hotelaria em 2025 foi bastante positivo. Em termos de taxa de ocupação — que representa a demanda — houve um pequeno avanço, ainda que discreto, com o resultado ficando alinhado com 2024, porém um pouco melhor. “Por outro lado, as diárias médias apresentaram uma evolução significativa. Claro que, ao analisarmos setores específicos, a perspectiva varia, mas considerando o Brasil como um todo, que é justamente o recorte do FOHB, a diária média avançou praticamente dois dígitos em 2025. Isso impulsionou também o RevPAR, que registrou crescimento próximo de 15%. Assim, o balanço é bastante positivo tanto em demanda quanto em geração de receita”, ressalta.

O cenário também foi favorável no campo da oferta. Segundo Orlando, houve, por parte das redes hoteleiras, um movimento consistente de assinatura de novos contratos para abertura de hotéis, além da incorporação de empreendimentos já existentes, que passaram a ser operados pelas redes por meio de contratos de licenciamento ou franquia. “Portanto, 2025 foi um ano positivo tanto na demanda quanto na oferta, com destaque especial para o avanço na rentabilidade e no desempenho de receita dos hotéis”, diz.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 Orlando de Souza: “2025 foi um ano positivo tanto na demanda quanto na oferta, com destaque especial para o avanço na rentabilidade e no desempenho de receita dos hotéis” (Foto - Divulgação)

Na análise do Presidente-executivo do FOHB, o principal desafio foi justamente esse: elevar a performance dos hotéis por meio do aumento da diária média. “Isso porque, mesmo que a ocupação crescesse significativamente, sem evolução das diárias haveria reflexos negativos na última linha, ou seja, na rentabilidade dos empreendimentos”, afirma. Para ele, o ponto essencial é garantir que as receitas acompanhem ao menos a inflação em relação ao ano anterior e, além disso, compensem parte do aumento dos custos — algo que ocorre naturalmente. Portanto, o desafio para 2025 era promover uma evolução de receita capaz de recompor perdas inflacionárias e, ao mesmo tempo, absorver o crescimento dos custos operacionais. “Esses custos incluem mão de obra, energia, alimentos, bebidas e diversos insumos que sofreram aumentos ao longo do período. Assim, fazer com que a receita acompanhasse esse avanço nas despesas e na inflação era o grande objetivo, e ele foi alcançado”, pontua.

Na opinião de Pedro Cypriano, Fundador e Diretor da Noctua Advisory, 2025 foi mais um ano de aumento de performance na hotelaria em todo o País. E as diárias médias continuaram como o principal driver de crescimento. “Entre as novidades, cada vez mais práticas de revenue management e estímulos a receitas auxiliares vêm ganhando atenção do setor hoteleiro. Em momentos de baixo crescimento de demanda, potencializar receitas via tarifa e A&B é um bom caminho, principalmente para produtos full service”, diz.

O ano de 2025 foi um período de contínua recuperação dos percalços advindos da pandemia. É o que nos conta Alexandre Sampaio, Presidente da FBHA - Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação. Para ele, apesar de, em uma maneira geral, as ocupações terem crescido o RevPar, isso se mostrou aquém do desejado para suportar pagar os financiamentos que foram tomados durante a pandemia e fazer as modernizações e melhoras necessárias para manter os hotéis na expectativa dos clientes. “Ademais, tivemos o encerramento do PERSE antecipado, o que frustrou muitos planejamentos da quitação dos débitos programados. Por outro lado, em algumas regiões, a abertura de novos empreendimentos foi de encontro ao atendimento de demanda, percebida pelo crescimento econômico local e realizações de investimentos de grupos estrangeiros no Brasil, o que denota a pujança da hotelaria brasileira”, revela.

Segundo José Ernesto Marino Neto, Fundador e Presidente da BSH International, uma das mais tradicionais consultorias hoteleiras no Brasil, o ano de 2025 foi desafiador. “O término repentino do PERSE deixou claro que a tributação no Brasil é muito pesada e que representa um obstáculo permanente. Ainda que a diária média tenha elevado, a margem espremeu. A indústria costuma se referenciar por diária média e RevPar, mas nossa preocupação está em lucratividade, e essa diminuiu em 2025”, menciona.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 José Ernesto Marino: “A indústria costuma se referenciar por diária média e RevPar, mas nossa preocupação está em lucratividade, e essa diminuiu em 2025” (Foto - Divulgação) 

Impactos do fim do PERSE

No final de 2023 surgiu toda a discussão em torno da manutenção do PERSE - Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos. O Ministério da Fazenda tentou por duas vezes extinguir o benefício antecipadamente, mesmo sendo um programa que tinha previsão de vigência até 2026. “Diante dessas duas tentativas, via medidas provisórias, foi necessário realizar um trabalho intenso junto ao Parlamento. E, é importante destacar, o Congresso realmente nos apoiou. Graças à atuação dos parlamentares, o PERSE foi defendido e mantido, o que trouxe um efeito extremamente positivo para o setor”, assinala Orlando de Souza. “Assim, 2024 e o início de 2025 foram períodos difíceis e conturbados no campo das relações governamentais. Ainda que não tenhamos conquistado tudo o que desejávamos, conseguimos avanços importantes, que já trarão efeitos positivos para o setor”, conclui.

De acordo com Alexandre Sampaio, as reivindicações da FBHA junto ao Governo Federal devem estar voltadas para a regulamentação da reforma tributária, no sentido que o Governo sensibilize sua base para, apesar do interesse arrecadatório federal, o Ministério da Fazenda, Casa Civil, Ministério do Turismo e Receita Federal, entendam o papel crucial deste segmento para a economia, na geração de empregos, postos de trabalho para os jovens e a necessidade de hospedar pessoas em determinadas regiões ainda carentes de receptivo. “Todos têm consciência que este novo panorama tributário vai onerar mais o comércio e os serviços, assim, esperamos que o Congresso cumpra seu papel democrático do equilíbrio de poderes e visão desenvolvimentista. Lógico que temos expectativas também junto ao Judiciário de causas que não chegaram a última instância, como insalubridade de camareiras, regulamentação das plataformas no pagamento de impostos, excessiva judicialização no âmbito do transporte aéreo - o que nos afeta, pois somos um País continental. Por último, que nossos parlamentares não inventem ao criar alternativas ao Sesc e Senac, estruturas ligadas a CNC que prestam relevantes serviços à população e ao turismo brasileiro”, completa.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 Alexandre Sampaio: “Todos têm consciência que este novo panorama tributário vai onerar mais o comércio e os serviços” (Foto - Divulgação)

A hotelaria é um dos setores que perderam na reforma tributária, de acordo com José Ernesto Marino, pois, ao invés de diminuir o tamanho do Estado e reduzir o gasto público, aumentou a improdutividade e perdulariedade do Estado. “E quem paga por isso é a sociedade. A hotelaria terá seu custo tributário elevado e da pior forma: tributando a receita. Todos os tributaristas do mundo classificam tributos sobre receita como os piores e mais desafiadores. O Brasil hoje tributa a receita e o lucro da empresa e agora vai tributar o dividendo também”, diz. Para Marino, países que crescem e geram riqueza de verdade entendem que a empresa é um veículo, um instrumento para geração de riqueza e não um veículo para alimentar a máquina pública. “A hotelaria perde muito no novo modelo tributário adotado com CBS e IBS”, finaliza.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 Manoel Linhares: “Nosso compromisso é transformar o atual momento de expansão em um ciclo sustentável de desenvolvimento, atuando firmemente para proteger os interesses da hotelaria e do turismo” (Foto - Divulgação)

Hotelaria independente

Em 2025, a hotelaria independente acompanhou a forte expansão do turismo brasileiro. Os dados do IBGE e do Ministério do Turismo mostram um cenário muito positivo: foram mais de quinze meses consecutivos de crescimento na atividade turística, com o País batendo recorde de visitantes internacionais e superando pela primeira vez o desempenho pré-pandemia. “Esse aumento da demanda impactou diretamente os pequenos e médios empreendimentos, que registraram melhora na ocupação. Nos grandes destinos urbanos, turísticos e de natureza, os hotéis independentes apresentaram desempenho sólido, especialmente aqueles que investiram em experiência, atendimento personalizado e presença digital. Em diversas regiões, observamos ocupação consistente ao longo do ano e maior capacidade de recuperação de margens, reflexo de um consumidor disposto a buscar autenticidade, boa relação custo-benefício e estruturas conectadas com a identidade local”, destaca Manoel Linhares, que foi Presidente da ABIH Nacional - Associação Brasileira da Indústria de Hotéis entre 2018 e 2025.

Segundo Linhares, 2025 foi um ano de avanços, mas também de desafios importantes. A carência de mão de obra qualificada foi novamente o principal entrave, afetando diretamente recepção, governança, alimentos e bebidas e gestão. “Some-se a isso a pressão de custos operacionais, a sazonalidade acentuada e a necessidade crescente de profissionalização e digitalização, pontos especialmente sensíveis para os hotéis independentes”, diz.

Para ele, ainda assim, os resultados consolidados do ano foram positivos. Houve crescimento de ocupação, tarifas mais robustas e conquistas regulatórias importantes. Com apoio da ABIH Nacional, foi possível avançar em modernizações relevantes, como o check-in eletrônico e a regulamentação da diária de 24 horas, que reduzem burocracia, dão eficiência às operações e beneficiam especialmente o pequeno e médio empreendedor. “Outro destaque foi o trabalho conjunto com o Ministério do Turismo em políticas de estímulo à demanda e de fortalecimento da governança turística, além da permanente defesa de medidas que ajudam a preservar a saúde financeira das empresas e dar previsibilidade ao setor”, completa Manoel.

Ao longo de 2025, a ABIH Nacional intensificou sua atuação para tornar o ambiente de negócios do turismo no Brasil mais amigável, previsível e competitivo. “Nosso compromisso é transformar o atual momento de expansão em um ciclo sustentável de desenvolvimento, atuando firmemente para proteger os interesses da hotelaria e do turismo, ampliar sua competitividade e fortalecer os setores como força econômica e social do Brasil”, ressalta o ex-Presidente da entidade.

Short Term Rental e Multipropriedade

Na análise de Pedro Cypriano, há uma confluência entre os modelos hoteleiros tradicionais, como hotéis e resorts, e os setores de STR – Short Term Rental e multipropriedade. Em menor intensidade para os destinos urbanos e um pouco mais relevante nos mercados de lazer. “Essa intersecção é natural e, a meu ver, não é um motivo de preocupação para a hotelaria. Ambos os modelos podem conviver”, ressalta.

Entre as multipropriedades, ele pontua, deve-se buscar uma melhoria da experiência do hóspede para posicionar melhor os produtos. A experiência hoteleira na média do setor tem ainda sido pobre e requer cuidado. “Ajustada a operação, os produtos bem estruturados terão bom potencial de performance. Desenvolvedores de multipropriedade precisam pensar no negócio também como hotelaria, já que metade dos apartamentos geralmente vão para um pool tradicional de hospedagem”, afirma. “Já para os negócios de Short Term Rental, ganhar escala operacional continua um desafio. Operações pontuais são de eficiência questionável. A palavra do jogo será volume para ter vantagens competitivas e ampliar as margens operacionais do negócio”, conclui Cypriano.

José Ernesto Marino afirma que o Short Term Rental é uma forma alternativa de hospedagem, com custo menor e mais barata. “Os hotéis econômicos podem ser perturbados por essa concorrência, mas as cidades estão pouco a pouco reagindo contra essa alternativa”, diz. “Encarecendo o custo de habitação em áreas nobres, os cidadãos locais têm se rebelado em vários lugares do mundo. Em São Paulo, especificamente, ainda não gerou esse patamar de repulsa”, informa.

Comportamento dos resorts

Os dados de comportamento do segmento de resorts em 2025 ainda não estão totalmente prontos, mas tudo leva a crer que o setor teve um ótimo ano. O relatório trimestral “Radar Resorts Brasil”, que é realizado pela Resorts Brasil e elaborado em colaboração com as empresas especializadas JLL, Senac e STR, nos mostra que a taxa de ocupação poderá chegar aos 60%, superando os números de 2024. Nesse relatório mais recente, foram identificados que atualmente há 21 projetos futuros de resorts com 6.719 quartos, sendo: 16 resorts em praias do Nordeste, totalizando 4.798 quartos. Destes, quatro resorts tiveram previsão de abertura nesse ano. E até o próximo ano, entra em operação mais cinco resorts, oferecendo mais 1.407 quartos.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 Pedro Ribeiro: “Tanto em ocupação e receita, temos um crescimento dos nossos hotéis no Brasil”

Perspectivas do Vila Galé

O ano de 2025 foi muito bom para a Vila Galé no Brasil. De acordo com Pedro Ribeiro, Diretor de Vendas e Marketing da Rede, haverá uma melhora dos resultados obtidos no ano de 2024 e alcançarão números bastante positivos nos hotéis em terras brasileiras. “A performance está melhor do que nos anos anteriores. Tanto em ocupação e receita, temos um crescimento dos nossos hotéis no Brasil”, afirma.

A consolidação no Brasil foi a principal conquista da Rede Vila Galé em 2025, aliada a inauguração dos três novos hotéis, todos da marca Collection: Sunset Cumbuco (Ceará), Ouro Preto (Minas Gerais) e Amazonia (em Belém). “Já nosso principal desafio enfrentado foi construirmos - e com grande sucesso -, o hotel de Belém em menos de 12 meses, e garantirmos um produto de excelente qualidade, sendo, provavelmente, o melhor hotel da cidade”, ressalta o Diretor.  “Vale destacar também a renovação do Vila Galé Angra, no estado do Rio de Janeiro, e o início da construção dos nossos projetos em São Luís, no Maranhão, e em Cururipe, Alagoas, sendo dois hotéis em cada destino”, diz Pedro. Segundo ele, o setor hoteleiro no Brasil está atravessando um momento de ascensão, apesar de ter potencial para crescer ainda mais.

A respeito das oportunidades que o mercado hoteleiro pode apresentar em 2026, Pedro Ribeiro comenta que será um ano de consolidação das unidades existentes, com crescimento previsível nas receitas e ocupações. “Também teremos a entrada no País do nosso conceito Nep Kids (Alagoas), que consiste em hotéis muito vocacionados para famílias com crianças. Além do planejamento da abertura das novas unidades, será um ano muito importante para nós, pois comemoramos 25 anos da nossa chegada ao Brasil”, conclui.

Como a Accor enxerga oportunidades em 2026

A Accor manteve em 2025 uma performance considerada bastante positiva no Brasil, acompanhando o bom momento do setor hoteleiro nacional. “Observamos um ambiente favorável impulsionado pelo turismo interno, aumento de eventos e viagens corporativas, entre outros fatores que seguem sustentando níveis robustos de ocupação e de valorização das tarifas na maior parte do País”, nos conta Abel Castro, Chief Development Officer da Accor para as Américas. Para ele, mais do que olhar apenas para indicadores pontuais, 2025 foi marcado pelo avanço consistente da estratégia de crescimento do grupo no Brasil. “Seguimos com um pipeline sólido e relevante de 68 novos hotéis com aberturas previstas para os próximos anos, refletindo a confiança de parceiros e investidores no modelo de franquias e na força das nossas marcas”, diz.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 Abel Castro: “Avaliamos continuamente oportunidades aderentes ao mercado local, inclusive no que diz respeito à chegada de novas marcas” - Foto - Divulgação

Esse movimento reforça a resiliência do portfólio da Accor, que hoje reúne mais de 320 hotéis em operação no País, e demonstra que a performance do Grupo continua acompanhando a expansão econômica de diversas regiões, especialmente em polos ligados ao agro, comércio e serviços.

De acordo com Castro, o setor hoteleiro brasileiro vive um momento de crescimento, impulsionado especialmente pelo aumento do turismo doméstico e por uma demanda mais consistente ao longo do ano. Os dados do FOHB mostram que o primeiro semestre de 2025 já havia apontado esse movimento, a taxa de ocupação cresceu, a diária média avançou 8,4% e o RevPAR registrou alta de 9% em relação ao mesmo período de 2024. “Esse desempenho confirma um mercado aquecido, com viajantes circulando mais pelo País e valorizando produtos de qualidade. Esse cenário se manteve no segundo semestre. Em outubro, por exemplo, a hotelaria nacional voltou a registrar crescimento simultâneo nos principais indicadores, com ocupação +5%, diária média +6,1% e RevPAR +11,4%. O avanço contínuo desses índices demonstra que o setor opera em um ciclo muito positivo, sustentado tanto pelo incremento das viagens internas quanto pela maturidade das redes e operações hoteleiras no País”, revela.

O setor de hospitalidade na América Latina continua apresentando oportunidades relevantes, impulsionado pela retomada e expansão do turismo regional, segundo Abel Castro. “Ainda assim, enfrentamos desafios estruturais, como taxas de juros elevadas, que limitam novos investimentos, pressão inflacionária sobre custos operacionais e a ausência de linhas de crédito específicas para o setor. A Accor, porém, se diferencia pela capacidade de adaptação e pela visão de longo prazo, características fundamentais em um segmento que atravessa múltiplos ciclos econômicos. Nosso modelo de negócios, resiliente e diversificado, permite não apenas mitigar esses desafios, mas também transformar esse contexto em oportunidades para nossos investidores e parceiros”, ressalta.

Em 2025, a Accor fortaleceu o seu portfólio de marcas no Brasil, com a chegada do TRIBE, que inaugurou sua primeira unidade em Belo Horizonte, e da Handwritten Collection, que assinou seu primeiro hotel no País, o Nui Handwritten Collection - João Pessoa.  O grupo também ampliou a presença no Brasil com novas aberturas no Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Ceará, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco, tanto em capitais quanto em cidades do interior. “Esses movimentos reforçam nossa confiança no mercado brasileiro e demonstram a capilaridade e capacidade do negócio hoteleiro para crescer de forma sólida, sustentável e estratégica mesmo diante de desafios setoriais”, comenta Castro.

Para o ano de 2026, o Chief Development Officer da Accor para as Américas enxerga um cenário positivo para a hotelaria no Brasil, pois o turismo doméstico segue em ritmo de crescimento, impulsionado por viajantes que estão explorando mais o País, seja para lazer, eventos ou negócios, movimento que também ganha força com a alta do dólar. Esse cenário amplia a demanda por hospedagem de qualidade e abre espaço para novas oportunidades no setor. Além disso, cidades médias e regiões impulsionadas pelos setores agropecuário e industrial continuam ganhando relevância no fluxo de viagens. Esses polos vêm se consolidando como importantes destinos corporativos e de eventos, o que naturalmente fortalece o potencial de expansão da hotelaria. “A Accor acompanha de perto essa dinâmica com um portfólio diversificado, capaz de atender diferentes perfis de destinos, investidores e hóspedes. Avaliamos continuamente oportunidades aderentes ao mercado local, inclusive no que diz respeito à chegada de novas marcas. De forma geral, esperamos um ano de continuidade desse movimento positivo, marcado por expansão do turismo interno e fortalecimento dos mercados regionais”, menciona Abel.

Sobre como a tecnologia ajudará a Accor em 2026, Castro diz que ela continuará sendo central para aprimorar a experiência do hóspede e tornar as operações mais eficientes. “A inteligência artificial segue como um dos pilares dessa evolução, permitindo personalizar jornadas, antecipar necessidades e tornar processos como reservas e atendimento muito mais fluidos”, afirma. Um exemplo recente é a implementação dos totens de auto check-in em unidades da rede Accor, que já reduzem significativamente o tempo de atendimento e mostram como soluções tecnológicas podem elevar a experiência sem perder a essência da hospitalidade. No entanto, na opinião de Castro, é importante reforçar que a tecnologia não substitui o colaborador. “Pelo contrário, ela potencializa o trabalho das equipes, permitindo que foquem em interações mais humanas e de maior valor. Para nós, inovação e hospitalidade caminham juntas, sempre com o propósito de elevar a experiência do cliente sem abrir mão do fator humano, que é essencial no nosso setor”, conclui.

Wyndham mantém crescimento

2025 foi um ano operacionalmente bastante positivo para o portfólio da Wyndham no Brasil. Considerando todos os hotéis da rede, houve um aumento relevante de ocupação em relação a 2024, com incremento superior a 12% no índice de ocupação anual. A diária média cresceu cerca de 4%, e isso se refletiu em um avanço direto no RevPar, que registrou aumento de aproximadamente 8,5% no comparativo entre 2024 e 2025. “Esses indicadores demonstram que a performance foi consistente, mesmo diante de um cenário econômico desafiador e de pressões externas que impactaram toda a hotelaria organizada. Em resumo, ocupação, diária média e RevPar cresceram acima do esperado, o que confirma a solidez da estratégia, a maturidade das operações e a relevância das marcas Wyndham no mercado brasileiro”, revela Hiram Della Croce, Diretor de operações para Brasil, Bolívia e Chile da Wyndham Hotels & Resorts.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 Hiram Della Croce: “A combinação entre crescimento de novos projetos, foco em receita, melhoria contínua e digitalização será determinante para manter nossa trajetória de fortalecimento operacional” (Foto - Divulgação)

Na análise de Della Croce, o momento hoteleiro no Brasil é positivo, já que, mesmo considerando percalços macroeconômicos, desafios regulatórios e variações que fogem ao controle das operações, a hotelaria manteve resultados consistentes ao longo de 2025. “Os hotéis conseguiram absorver parte das pressões de custos, trabalhar tarifas com inteligência, otimizar canais e capturar demanda crescente, especialmente em destinos urbanos e de lazer. Portanto, apesar das dificuldades estruturais do País, o desempenho do setor como um todo foi satisfatório, sinalizando uma hotelaria mais preparada, mais eficiente e com maior capacidade de gestão de receita”, afirma.

Os desafios de 2025 estiveram muito associados a fatores externos que afetaram a lucratividade final do setor, segundo o Diretor da Wyndham. Um dos principais impactos veio da saída da Lei do PERSE, que reduziu incentivos tributários importantes para a hotelaria e afetou diretamente o resultado final das operações. Outro ponto relevante foi o desafio relacionado à mão de obra no Brasil. Encontrar, formar e reter equipes qualificadas tornou-se mais complexo. “O turnover aumentou, algumas posições permaneceram em aberto e isso naturalmente reduz velocidade de melhoria contínua, padronização de serviço e produtividade. É uma realidade que não afeta apenas a Wyndham, mas todo o setor de serviços no País”, informa Hiram.

Apesar de alguns pontos não tão bons, 2025 foi um ano de conquistas importantes. “Além da performance operacional, encerramos o ano com a abertura do Wyndham Pitangui Beach Resort, próximo a Natal (RN), nossa primeira operação gerenciada nessa região do Nordeste. Trata-se de um marco estratégico para a companhia, reforçando nossa presença em destinos de lazer e consolidando nosso portfólio regional”, diz o Diretor.

Hiram Della Croce acredita que 2026 será um ano desafiador, mas com perspectivas muito favoráveis. “Teremos de manter crescimento de diária média e níveis saudáveis de ocupação, considerando que os custos operacionais continuam pressionados, principalmente por insumos essenciais para a operação. O desafio será capturar receita com eficiência e manter rentabilidade”, pontua.

Para o portfólio da Wyndham, as perspectivas são positivas. Há produtos fortes chegando ao mercado e aberturas relevantes no pipeline, entre elas o Wyndham Garden Aclimação e o TRYP by Wyndham Perdizes, ambos em São Paulo, além de outros empreendimentos que reforçam a rede no Brasil e fortalecem a distribuição regional.

Já na área de tecnologia, 2026 será um ano de ampliação. A Wyndham concluiu em 2025 a fase piloto global do Wyndham Connect, uma plataforma que integra inteligência artificial, automação e estratégia de receita. A ferramenta permite ampliar vendas antes mesmo da chegada do hóspede, potencializando oportunidades comerciais, personalização e relacionamento. “A rede investiu de forma expressiva no desenvolvimento dessa solução e nosso objetivo agora é expandir o uso em mais propriedades ao longo de 2026, elevando ainda mais o desempenho do portfólio. Portanto, a combinação entre crescimento de novos projetos, foco em receita, melhoria contínua e digitalização será determinante para manter nossa trajetória de fortalecimento operacional”, conclui Della Croce.

Perspectivas para 2026

Na opinião de Orlando de Souza, 2026 tem tudo para ser um ano muito bom para o segmento hoteleiro, pois não há nenhum indicador econômico que sugira a possibilidade de uma crise. A inflação permanece controlada, dentro da meta, o que é fundamental para manter um ambiente econômico estável. “Com esse cenário, esperamos uma nova evolução das diárias médias e, possivelmente, até uma melhora um pouco mais consistente nas taxas de ocupação. O período eleitoral tende a movimentar bastante o País, gerando viagens e deslocamentos, o que normalmente impulsiona a demanda hoteleira. Por isso, acreditamos que pode haver algum crescimento, ainda que moderado, nos índices de ocupação”, salienta.

Quanto às diárias médias, a expectativa é de nova alta, porém menor do que a registrada em 2025. “Não devemos ver crescimento de dois dígitos, mas ainda assim há espaço para um avanço positivo. E, como mencionei, o próprio ano eleitoral costuma trazer um certo otimismo para a economia, além de naturalmente incentivar o governo a evitar qualquer turbulência fiscal ou econômica, já que isso tem impacto direto no desempenho eleitoral”, diz Orlando.

Do lado da oferta, os estudos relacionados à abertura de novos hotéis indicam que, para 2026, 2027 e 2028, deve ocorrer uma expansão em torno de 8% no número de empreendimentos. Segundo o Presidente-executivo do FOHB, para um País continental como o Brasil, esse crescimento é relativamente modesto, pois o ideal seria algo em torno do dobro disso. Esse ritmo mais lento ainda reflete os projetos que foram engavetados durante a pandemia e só recentemente voltaram a avançar. “Apesar disso, as redes hoteleiras permanecem bastante otimistas, com a assinatura de novos contratos, seja para construção de novos hotéis, seja para conversão e troca de bandeira em empreendimentos independentes. O movimento é positivo e reforça a confiança do setor para os próximos anos”, finaliza Orlando.

A respeito das oportunidades que o mercado hoteleiro pode apresentar em 2026, Pedro Cypriano afirma que é preciso ter um olhar para dentro das empresas e uma busca por maior eficiência continua o caminho ideal. “E não há uma “bala de prata”, cada empresa deve fazer sua lição de casa e entender quais as reais oportunidades. Entre as opções mais comuns, estão: renovação de hotéis, aprimoramento de revenue management, indução de receitas incrementais e melhoria de processos. Fortalecimento de gestão e de cultura são fundamentais para darmos novos passos nas empresas. Aqui, a estruturação de conselhos e atividades de asset management podem ser estratégicas”, revela. O Diretor da Noctua também aponta que, com um dólar não tão alto como no ano passado e as perspectivas de querosene em preços mais baixos, podem favorecer o setor de aviação a preços mais competitivos.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 Pedro Cypriano: “Viabilizar novos hotéis com um custo de capital alto nunca é fácil e desacelera o potencial de novos negócios na velocidade que o País poderia ter” (Foto - Divulgação)

Entre os desafios para 2026, Cypriano conta que será continuar crescendo em uma economia modesta e com altas taxas de juros. “Viabilizar novos hotéis com um custo de capital alto nunca é fácil e desacelera o potencial de novos negócios na velocidade que o País poderia ter. O lado bom da moeda é que sem novos hotéis em tanto volume, a tendência de valorização dos ativos atuais segue clara. Uma atenção especial também a reforma tributária sempre é importante. Se aprovadas alíquotas maiores, seguir em crescimento de receita será crucial para não termos um achatamento de margens operacionais”, conclui.

Para esse ano de 2026, José Ernesto Marino aponta que a nova oferta futura do setor hoteleiro ainda é pequena. “Desde a pandemia, os investidores estão cautelosos. Então, novos desenvolvimentos foram freados. As principais cidades do Brasil tendem a elevar tarifas e ter performances boas, ao menos nos próximos cinco anos. Os desafios da hotelaria majoritariamente são externos ao negócio. No Brasil, há uma batalha ideológica em curso que tem elevado os tributos de forma inimaginável”, pontua.

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Na análise de Alexandre Sampaio, se houver aumento da Taxa Selic em 2026, novos investimentos devem ser adiados. “Esperamos que os próximos governos, estaduais e federal, renovando ou não, coloquem um orçamento mais adequado para a mídia e marketing na divulgação dos destinos e captação de mais turistas internacionais. As oportunidades continuam sendo cidades de médio porte de fronteira agrícola, regiões de mineração e industrialização crescente ou inovadoras, que ainda demandem hotelaria de médio porte”, finaliza.

Manoel Linhares afirma que o cenário internacional é favorável em 2026, pois a ONU Turismo aponta crescimento contínuo nas chegadas globais e uma recuperação plena do fluxo turístico. O Brasil, por sua vez, figura entre os países que mais crescem em recepção de visitantes estrangeiros, ao mesmo tempo em que consolida sua demanda interna. “Desafios como formação profissional, custos elevados, redução da dependência de intermediários e regulamentação das plataformas permanecem, mas com planejamento e apoio institucional adequado, o setor tem plena capacidade de manter uma trajetória ascendente”, conclui.

Hotelaria tem boas perspectivas para 2026 2026 deverá ser um bom ano para o setor hoteleiro no Brasil (Foto - Divulgação)