A entrada em 2025 de mais 9 milhões de turistas internacionais viajando por diferentes destinos, torna o País a bola da vez no cenário internacional

Sem dúvida alguma, o turismo no Brasil vive o melhor momento de sua história e basta pegar os dados e comprovar. Impulsionado pelos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o País atingiu um recorde histórico de 6,6 milhões de turistas estrangeiros em 2016. O ano de 2018 registrou cerca de 6,62 milhões de visitantes, uma marca que se manteve como recorde até recentemente, próximo desse patamar, com pequenas variações, mas nunca havia rompido a casa de 7 milhões. E como era de esperar, houve uma queda significativa durante a pandemia de COVID-19. Mas em 2024, o País encerrou o ano com um novo recorde de aproximadamente 6,7 milhões de turistas estrangeiros, superando a marca de 2018. E em 2025, finalmente o País conseguiu romper a casa de 7 milhões e registrou a entrada de 9 milhões de turistas internacionais viajando por diferentes destinos. Os dados mais recentes do Ministério do Turismo e da Embratur, até o fechamento dessa matéria, apontam que nos primeiros 10 meses de 2025, a chegada de quase 3 milhões de argentinos, valor 85,46% maior que no mesmo período de 2024.

O número de argentinos que vieram ao Brasil de janeiro a outubro também supera em muito o total de entradas nos 12 meses de 2024, de 1,96 milhão. O Chile estava em segundo lugar com cerca de 604 mil visitantes, superando os Estados Unidos e tornando-se o segundo maior emissor, seguido por Paraguai e Uruguai, ambos com números significativos, ficando entre os cinco primeiros emissores. Além disso, um número considerável de turistas veio do continente europeu, com os seguintes países em destaque: França, Portugal, Alemanha, Reino Unido e Itália. Alguns especialistas são enfáticos em afirmar que: se não fosse a exigência dos vistos para turistas estrangeiros dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, que voltou a ser exigido no Brasil a partir de 10 de abril, esse número de turistas poderia ter sido maior. Para acompanhar a entrada desses visitantes no País, a EMBRATUR, com o apoio do Ministério do Turismo, instalou turistrômetros em Brasília (DF) e no Rio de Janeiro (RJ). A partir de projeções de inteligência artificial, os painéis atualizaram, em tempo real, a chegada de novos visitantes até o réveillon.

O Diretor do escritório regional da ONU Turismo para as Américas, Heitor Kadri, destaca a importância do trabalho conjunto entre o governo e a iniciativa privada. “Hoje existe uma verdadeira união do Governo Federal em torno do turismo, fortalecendo quem faz o setor acontecer. Nesse ambiente de diálogo, a Agência das Nações Unidas para o Turismo passa a se somar a esse time de gigantes, e é uma honra enorme começar essa colaboração. Tenho convicção de que vamos ajudar não só o Rio de Janeiro, mas todo o Brasil, que vem se posicionando de maneira internacionalmente contundente — algo essencial para o turismo”. O ex-Ministro do Turismo, Celso Sabino complementa dizendo que: “A liderança do Presidente Lula no cenário internacional, sem dúvida nenhuma, é um ponto muito importante para alcançar esses números expressivos de visitas de turistas internacionais. Essa marca inédita é fruto de um trabalho sério e planejado junto com a EMBRATUR e todos os agentes que têm colaborado com o turismo nacional. Cada dólar gasto aqui representa emprego, renda e desenvolvimento para milhares de brasileiros. O Brasil começou a colher os frutos, com o turismo gerando oportunidades, empregos e renda para o nosso País e hoje somos a bola da vez no cenário internacional”, ressaltou Sabino.

Turismo no Brasil vive seu melhor momento Minas Gerais é o estado que mais cresceu no turismo e grande parte visitaram a capital Belo Horizonte- Crédito: Qu4rto Studio

Vitrine do turismo mundial

E essa opinião do ex-Ministro Sabino, vai de encontro aos dados mais recentes do World Tourism Barometer, relatório da ONU Turismo. Mostra que o Brasil lidera o crescimento de viagens internacionais no mundo, com aumento de 45% nas chegadas de estrangeiros entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho coloca o País à frente de destinos consolidados, como Vietnã e Egito (ambos com 21%), e supera ainda Etiópia e Japão, que registraram 18%. O movimento acompanha a retomada global das viagens. Segundo o relatório, mais de 1,1 bilhão de turistas circularam pelo mundo nos nove primeiros meses de 2025, cerca de 32 milhões a mais que em 2024. Além do aumento no fluxo, o impacto econômico também é expressivo. A ONU Turismo aponta que as receitas geradas por turistas internacionais no Brasil cresceram 12% no período de janeiro a setembro. De acordo com o Banco Central, os visitantes estrangeiros já gastaram US$ 6,617 bilhões nos primeiros dez meses do ano, alta de mais de 10% em relação ao ano anterior.

O montante acumulado em 2025 equivale a mais de R$ 35,693 bilhões injetados diretamente na economia brasileira, impulsionando setores como hotelaria, alimentação, transporte, comércio e serviços turísticos em todas as regiões do País. Além disso, as receitas deixadas por viajantes internacionais já superam áreas importantes da economia. Segundo o Bacen, o segmento de “Telecomunicação, computação e informações” contabilizou US$ 5.778 bilhões no mesmo período, demonstrando a força crescente do turismo como vetor econômico nacional. Para a consultora de turismo Santuza Macedo, o avanço revela uma mudança estrutural na imagem do País no exterior. “O Brasil voltou ao mapa global do turismo, e não apenas como destino de praia. Hoje somos vistos como um País de diversidade natural, cultural e gastronômica, com experiências únicas e um potencial que ainda não foi totalmente explorado”, afirma Santuza.

Turismo no Brasil vive seu melhor momento Santuza Macedo: “O Brasil voltou ao mapa global do turismo” (Foto - Divulgação)

Onde o Brasil pode crescer ainda mais

Santuza avalia que o País tem espaço para diversificar a oferta e captar perfis de turistas que buscam novos tipos de experiências e cita três frentes estratégicas:

Turismo de interior - Regiões como o Vale do Café (RJ), Serra da Mantiqueira, Caminho dos Príncipes (SC) e cidades serranas do Espírito Santo podem ganhar visibilidade pela combinação entre ruralidade, gastronomia e vivências culturais.

Turismo náutico e de cruzeiros - Com a temporada 2025/2026 projetando mais de 900 mil passageiros embarcados, o setor deve atrair visitantes que desejam explorar o litoral brasileiro de forma integrada. “O turismo marítimo será um dos grandes motores da economia”, afirma Santuza.

Turismo de experiências - Vivências ligadas à cozinha local, agricultura familiar, festivais, trilhas guiadas e rotas históricas são cada vez mais buscadas por estrangeiros que querem “viver” o destino, e não apenas visitá-lo.

Turismo de negócios

Esse é um segmento que alavancou em muito os números recordes que o Brasil comemorou no turismo em 2025. Até o fechamento dessa matéria, os dados mais recentes apontavam que o setor de turismo de negócios faturou mais de R$ 11,6 bilhões de janeiro a outubro de 2025 e mantinha expectativa recorde para o ano. No recorte mensal de outubro, as receitas do setor de viagens corporativas alcançaram R$ 1,34 bilhão, uma alta de 5,33% na comparação com o mesmo mês de 2024. A informação consta de um levantamento da ABRACORP - Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas, que analisa mensalmente 11 setores de mercado. Ainda de acordo com a entidade, o faturamento das viagens corporativas no País deverá somar R$ 14,3 bilhões neste ano, um recorde histórico do ramo. O ex-Ministro do Turismo, Celso Sabino, aponta benefícios dos avanços no segmento. “O turismo de negócios está alcançando números expressivos, se mantendo como fundamental para o nosso setor, pois movimenta toda uma cadeia de serviços, estimulando investimentos e impulsionando o dinamismo dos negócios no nosso País, gerando emprego e renda para a população brasileira”, ressalta.

Turismo no Brasil vive seu melhor momento O turismo de negócios é um dos grandes atrativos para os turistas internacionais que viajam até o Brasil (Foto - senivpetro no Freepik)

Em outubro, o faturamento das viagens corporativas alcançou R$ 1,34 bilhão, alta de 5,33% ante o mesmo mês de 2024. Conforme a pesquisa, hotéis registram R$ 785,4 milhões e serviços aéreos R$ 423 milhões respondendo por 88% do total. Demais serviços colaboraram com R$ 85,7 milhões, e a locação de veículos somou R$ 35 milhões. Já o setor de cruzeiros, com o início antecipado da temporada, teve o maior aumento percentual ante outubro de 2024: 535,39%. “Apesar de toda movimentação geopolítica no mundo no período, o mercado de viagens segue fortalecido, com expansão em diferentes frentes e evolução constante da demanda por serviços especializados”, observa Douglas Fernandes e Camargo, Diretor executivo da ABRACORP.

Outros dados se somam a outros números positivos recentes do turismo nacional. Segundo a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, o setor aéreo brasileiro havia movimentado mais de 9 milhões de passageiros em voos domésticos ao longo do último mês de outubro, maior número já registrado no período desde janeiro de 2000. O segmento aéreo internacional também apresentou recorde de movimentação para outubro no Brasil, com 2,3 milhões de passageiros. O crescimento é de 9,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Temporada brasileira de cruzeiros marítimos promete movimentar o turismo

A temporada de cruzeiros que iniciou no final do ano e prossegue até o mês de abril deve contribuir para atrair muitos turistas estrangeiros. A previsão da CLIA - Cruise Lines International Association Brasil é que mais de 674 mil viajantes embarquem para aproveitar as belas paisagens do País e da América do Sul, entre embarques, desembarques e trânsito. No maior porto do Brasil, o de Santos (SP), nessa temporada estão previstas 133 escalas em 95 dias de operação, com 14 embarcações passando pelo terminal, sendo cinco em escalas regulares e nove em trânsito. Os cruzeiristas terão à disposição minicruzeiros de três ou quatro noites, além de itinerários mais longos, de até sete noites, com destinos nacionais e internacionais, incluindo Buenos Aires, Montevidéu, Salvador e Maceió. Em muitos casos, as viagens de cruzeiro envolvem também trechos aéreos e rodoviários até os portos de embarque, exigindo um planejamento completo e integrado.

Turismo no Brasil vive seu melhor momento Estão previstas 133 escalas em 95 dias de operação dos cruzeiros marítimos no Porto de Santos (Foto – Freepik.com)

Segundo a CLIA Brasil, a movimentação de embarques e desembarques gera mais de R$ 577 milhões em tributos Além disso, o impacto econômico gerado por cada cruzeirista nas cidades de embarque e desembarque chega a R$ 918,15, quando nos pontos de escala soma R$ 709,47 por turista. “Para nós, agentes de viagens, o cruzeiro marítimo é um pilar do turismo e da economia. Ele proporciona que o viajante conheça vários destinos sem sair da sua cabine. Trata-se de um segmento de alto valor agregado, que movimenta uma ampla cadeia de serviços e exige conhecimento especializado em cada etapa, do roteiro à escolha da cabine, do pacote de bebidas às excursões em terra. Esse conhecimento detalhado reforça o papel do agente de viagens na geração de negócios, fidelização de clientes e crescimento sustentável do setor”, destacou a Presidente da ABAV Nacional, Ana Carolina Medeiros.