Calendário mantém o setor hoteleiro e turístico aquecido durante a ano todo

O ano de 2026 desponta como um dos mais promissores para o turismo doméstico da última década. Com um calendário repleto de feriados prolongados, o País deve ter uma série de picos de movimentação turística ao longo do ano. Para o setor de hospitalidade, isso representa uma janela de oportunidades para aumentar a ocupação, a diária média, o RevPar e alavancar as receitas. Após anos de oscilações decorrentes do cenário econômico e das transformações no comportamento do consumidor, a hotelaria vê nos feriados um gatilho essencial para estimular viagens curtas, aumentar a ocupação e reforçar o caixa nos meses tradicionalmente considerados de “baixa estação”. A sucessão de recessos prolongados cria condições ideais tanto para o viajante que planeja com antecedência quanto para o turista que decide em cima da hora — perfil que se tornou cada vez mais presente nas principais praças emissoras do País.

Turismo doméstico fortalecido e maior circulação regional

Com o câmbio ainda pressionando o turismo internacional, destinos brasileiros devem ganhar protagonismo. Resorts e hotéis que alinharem a oferta de experiências gastronômicas, culturais e de bem-estar às viagens de curta duração tendem a captar a maior parte dessa demanda. Além dos meios de hospedagem, todo o setor turístico deve ser impulsionado pelo calendário favorável e receber investimento extra em 2026.

Segundo levantamento do Visit Rio, os feriados previstos para esse ano devem injetar cerca de R$ 3 bilhões na economia da cidade e gerar aproximadamente R$ 150 milhões em ISS. Ao todo, serão 11 feriados, sendo sete prolongados. Além disso, há ainda a movimentação típica de datas consagradas da agenda turística como Réveillon, Carnaval e Natal. Para o Presidente-executivo do Visit Rio, Luiz Strauss, os feriados são um dos fatores que mais beneficiam o planejamento do trade turístico e estimulam viagens de curta duração. “O calendário de 2026 cria uma sequência positiva de oportunidades para o turismo. As folgas prolongadas e bem distribuídas ajudam a manter a cidade em movimento, equilibrando períodos de alta e média temporada. É um cenário que beneficia toda a cadeia produtiva, da hotelaria ao comércio, passando por bares, restaurantes e transporte”, disse.

Entre as datas com maior potencial de impacto, estão Páscoa (3 de abril), Dia do Trabalho (1 de maio), Tiradentes (21 de abril), Corpus Christi (4 de junho), Independência (7 de setembro), Nossa Senhora Aparecida (12 de outubro), Finados (2 de novembro) e Dia da Consciência Negra (20 de novembro) todos prolongados, com alta expectativa de ocupação na rede hoteleira. Juntos, esses períodos devem concentrar mais da metade do faturamento previsto para o ano. No total, além de feriados nacionais, há duas datas regionais e um que cai no fim de semana: São Sebastião (20 de janeiro), São Jorge (23 de abril) e a Proclamação da República (15 de novembro), quando a movimentação é fortemente impulsionada pelos próprios cariocas, que aproveitam o tempo livre para explorar a cidade, visitar pontos turísticos e circular entre praias, bares e eventos culturais.

Feriadões de 2026 devem impulsionar o turismo no Brasil O Rio de Janeiro tem muitos pontos turísticos que atraem visitantes e moradores (Foto - Poswiecie por Pixabay)

Para Neyre Freixo, Superintendente de operações da Ribalta Hospitalidade, os feriados prolongados têm impacto direto e relevante na economia local. Eles geram aumento no fluxo hoteleiro, elevam o consumo em restaurantes, serviços e comércio, e estimulam a cadeia de eventos, que é um dos pilares da Ribalta Hospitalidade. “No nosso caso, esse movimento se traduz em maior ocupação, incremento nas receitas de alimentos e bebidas, maior procura por eventos sociais e fortalecimento do turismo regional. Para o Rio de Janeiro como um todo, trata-se de uma oportunidade de impulsionar empregos, ampliar renda e atrair visitantes que utilizam os feriados para rotas curtas, permanecendo na cidade por períodos que normalmente gerariam menor demanda” diz.

São Paulo, que sempre foi importante polo de viagens corporativas, vem ganhando destaque também como destino de lazer. A ABIH-SP enxerga o ano de 2026 como um dos mais favoráveis nos últimos anos. A combinação de feriados prolongados deve impulsionar significativamente a movimentação turística em todo o estado. Como em 2025 praticamente os feriados incidiram aos finais de semana, o potencial turístico ficou reduzido, favorecendo o corporativo. Segundo a entidade, estima-se de 8% a 12% de aumento no movimento para os destinos turísticos nestas datas se comparado com o exercício 2025, e a manutenção das ocupações nos destinos corporativos. A demanda de lazer cresceu entre 18% e 22% nos últimos três anos, impulsionada pela diversidade de atrativos culturais, naturais e gastronômicos, pela ampliação de parques temáticos e pela preferência crescente por viagens curtas. De acordo com os dados da CIET - Centro de Inteligência da Economia do Turismo/SETUR-SP - Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, esse movimento tem reflexos diretos sobre a hotelaria: muitos empreendimentos já registram que o lazer responde por até 45% da ocupação total. Sondagem realizada no final de 2025 mostra que 16,7 milhões de visitantes deverão circular pelo estado durante a temporada de verão, considerando os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Por conta desta expectativa, a tendência é de ser um ano com melhores resultados.

Ainda de acordo com dados do CIET/SETUR-SP e SPVCB – São Paulo Visitors Convetion & Bureau, além de fortalecer o interior e as estâncias turísticas, os feriados tendem a beneficiar também a hotelaria corporativa, estimulada pela expansão do bleisure e pelo prolongamento das estadias. No total, a expectativa é que o turismo paulista movimente entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão adicionais ao longo do ano em função dos feriados. Cada feriado pode movimentar R$ 150 milhões a R$ 250 milhões no estado, beneficiando não apenas hotéis, mas toda a cadeia turística: bares, restaurantes, parques, comércio, serviços e transportes.

Estima-se que a fatia hoteleira, especificamente, chega a concentrar 30% a 35% dessa movimentação. Com a hotelaria trabalhando perto de sua máxima ocupação, municípios turísticos tendem a registrar aumento de arrecadação (os dados históricos da ABIH-SP sugerem uma estimativa entre 6% e 10%), reforçando como os feriados funcionam como motores de desenvolvimento local, geração de emprego e fortalecimento do turismo regional.

Feriadões de 2026 devem impulsionar o turismo no Brasil São Paulo tem apresentando crescimento na demanda de lazer nos últimos anos (Foto - Sérgio Souza BY Pexels)

Já o Nordeste, que sempre se destacou pelo turismo de lazer, a hotelaria espera taxas robustas de ocupação em praticamente todos os feriadões, impulsionada por praias, clima favorável e melhor conectividade aérea. Mas o crescimento dos eventos corporativos tem aberto uma nova possibilidade de turismo na região. Para Carolina Oliveira, Presidente do Recife Convention & Visitors Bureau, Recife tem uma grande vantagem nesse calendário de feriados, a cidade funciona bem tanto para quem vem a trabalho, quanto para lazer. E um ano com muitos feriados prolongados favorece o “bleisure” - quando o visitante aproveita a viagem profissional para estender a estadia. “No turismo de lazer, Recife se destaca pela diversidade: cultura, gastronomia, praia urbana, vida noturna, além de novos equipamentos que estão sendo inaugurados ou renovados. Essa combinação, junto da boa conectividade e da infraestrutura urbana, faz com que o destino se posicione naturalmente entre as principais escolhas do Nordeste”, argumenta.

Segundo Carolina, para aproveitar os feriados prolongados, é importante trabalhar com planejamento, ofertas divulgadas com antecedência, pacotes específicos para viagens curtas e experiências que valorizem a cultura local ajudam a atrair o visitante que decide a viagem de forma rápida. Outro ponto essencial é a integração com o restante do trade. “Quando hotéis, bares, atrativos e receptivos trabalham em sintonia, a experiência melhora, o visitante permanece mais tempo e o retorno econômico é maior para todos”, frisa. E completa. “Os feriados prolongados têm impacto direto na economia. Aumentam a ocupação nos hotéis, movimentam bares e restaurantes, fortalecem o comércio e estimulam serviços relacionados ao turismo. O efeito é distribuído e alcança vários setores, do transporte à cultura. São períodos que ajudam a cidade a manter um bom desempenho ao longo do ano”, destaca.

[al-banner-meio-post]

Feriadões de 2026 devem impulsionar o turismo no Brasil Carolina Oliveira: “Os feriados prolongados têm impacto direto na economia. Aumentam a ocupação nos hotéis, movimentam bares e restaurantes, fortalecem o comércio e estimulam serviços relacionados ao turismo” (Foto - Divulgação)

A região Sul do Brasil também tem boa expectativa para o ano de 2026. Margot Rosenbrock Libório, Presidente da ABIH – SC, afirma que o estado de Santa Catarina tem trabalhado bastante para captar mais destinos emissores de turistas para o estado. E destaca o aumento das conexões aéreas, principalmente de voos vindos do exterior. “Para 2026, nós esperamos consolidar ainda mais a conexão direta de Florianópolis com Lisboa e com a cidade do Panamá. Esperamos que o voo direto para Lima se consolide, além da manutenção dos voos que temos para Santiago do Chile e para Buenos Aires, na Argentina”. Margot ressalta a importância do calendário de feriados prolongados no decorrer de 2026. “O impacto é muito positivo, principalmente em relação ao turismo de lazer. Os feriados dividem o fluxo durante o ano e distribuem melhor a demanda. O uso da infraestrutura de deslocamento, não tem aquele fluxo excessivo nas estradas ou nos aeroportos em um só período, são várias datas com feriados prolongados. Quem não viajar em setembro, vai poder viajar em outubro ou em novembro, só para dar um exemplo, temos feriados prolongados em setembro, outubro e dois no mês de novembro de 2026”, enfatiza.

 

Feriadões de 2026 devem impulsionar o turismo no Brasil Margot Rosenbrock: “Os feriados dividem o fluxo durante o ano e distribuem melhor a demanda” (Foto - Divulgação)

Desafios e ajustes para captar a demanda

A hotelaria precisa estar preparada para atender a alta demanda por diversos períodos durante o ano. Entre os principais pontos de atenção estão:

  • Precificação dinâmica com cautela: tarifas altas nos feriadões são esperadas, mas precisam estar alinhadas à entrega de experiência. O excesso pode deslocar o turista para destinos concorrentes.
  • Operação reforçada: mão de obra adicional, planejamento de governança e ajustes no A&B serão cruciais para manter a qualidade do serviço.
  • Pacotes curtos e estrategicamente montados: experiências de duas a quatro noites, com atividades incluídas, têm maior taxa de conversão.
  • Comunicação antecipada e segmentada: campanhas digitais devem trabalhar proximidade, praticidade e conveniência, sobretudo para públicos jovens e famílias.
  • Experiências como diferencial: ativações gastronômicas, wellness, trilhas, city tours, eventos temáticos e day use agregam valor e ajudam a ampliar ticket médio.

Adriana Alves, CMO e Diretora de Novos Negócios da Rede Bristol Hotéis & Resorts, afirma que o calendário de feriados prolongados do ano deve impulsionar fortemente o turismo de lazer, especialmente as viagens de curta e média duração. Esse cenário favorece a Rede Bristol, que está presente nas cinco regiões do País e consegue atender diferentes motivações de viagem. “Do ponto de vista estratégico, vemos os feriados como uma oportunidade para ampliar nossa taxa de ocupação, acelerar receita e fortalecer a presença da marca em mercados onde o comportamento do viajante muda bastante entre semanas comuns e períodos de lazer. Nossa projeção é de um ano com crescimento consistente, com impacto direto nos índices de performance e no fluxo de novos clientes”. A diversidade do portfólio da Rede permite responder de forma muito estratégica aos feriados prolongados. Cada unidade tem seu próprio perfil de público e sua vocação — há hotéis com forte apelo urbano e outros em regiões de praia e ecoturismo, por exemplo. Adriana explica que enquanto cada hotel desenvolve suas estratégias conforme seu mercado local, com o apoio do marketing, na diretoria, são coordenadas diretrizes comerciais, consistência de marca e inteligência de demanda. “Isso garante flexibilidade para criar produtos alinhados às características regionais e, ao mesmo tempo, mantém a nossa Rede integrada sob uma visão única de posicionamento. Essa estratégia permite atender públicos variados de maneira assertiva, potencializando resultados e fortalecendo a percepção de valor da marca em diferentes regiões do País”.

E claro que para tirar melhor proveito dessas oportunidades, o planejamento é fundamental. Para ter bons resultados, treinamento constante e trabalho contínuo das equipes é muito importante. A Rede Bristol, além desse alinhamento operacional, envolve também planejamento de demanda e inteligência comercial. “Trabalhamos com análises de dados, histórico de compra e tendências de comportamento do hóspede para construir pacotes competitivos, ajustar tarifas e garantir disponibilidade adequada em cada período. No marketing, costumamos intensificar campanhas segmentadas, reforçamos a comunicação digital e ampliamos estratégias de relacionamento para estimular a reserva direta. Também investimos em experiências que agreguem valor, porque entendemos que, com demanda elevada, excelência na entrega se torna ainda mais determinante para fidelização. Em paralelo, reforçamos processos internos e realizamos ações de capacitação para assegurar que toda a Rede esteja preparada para absorver picos de movimento com qualidade e eficiência”, conclui Adriana.

Feriadões de 2026 devem impulsionar o turismo no Brasil Adriana Alves: “Vemos os feriados como uma oportunidade para ampliar nossa taxa de ocupação, acelerar receita e fortalecer a presença da marca” (Foto - Divulgação)

De acordo com Margot Rosenbrock Libório, a preparação dos meios de hospedagem está relacionada com uma boa organização do setor comercial, com o ajuste do Revenue Management e da precificação para os feriados prolongados de 2026. “A preparação maior mesmo é em relação ao mapeamento da demanda e preparação do calendário de tarifas, para poder precificar corretamente e lucrar o máximo possível nesse período”. Neyre Freixo reforça que a preparação envolve três frentes principais: estrutura, experiência e operação. “Nos últimos meses, reforçamos investimentos contínuos em melhorias no hotel e na casa de eventos, ampliamos nossa oferta gastronômica e consolidamos o uso de áreas estratégicas, como o rooftop e os espaços para eventos de menor porte. Do ponto de vista operacional, antecipamos planejamento de equipes, revisamos processos internos e fortalecemos treinamentos para garantir atendimento ágil e de qualidade mesmo em períodos de alta. A soma desses fatores contribui para um ciclo econômico positivo, reforçando a necessidade de que setores de hospitalidade estejam preparados para responder com qualidade e constância”. A executiva afirma que outro ponto essencial é a diversificação de receitas. “Nossa feijoada, por exemplo, tem atraído moradores do entorno e ampliado o fluxo aos fins de semana. A inauguração da pizzaria em dezembro atrai novos perfis de clientes. Essa preparação conjunta nos permite lidar com o aumento da procura, mantendo padrão elevado de hospitalidade e garantindo bons resultados ao longo do ano”, enfatiza.

Feriadões de 2026 devem impulsionar o turismo no Brasil A diversificação de receitas é um dos pontos fortes da Ribalta Hospitalidade (Foto - Divulgação)

Consolidação do viajante

A hotelaria vive uma combinação de fatores que incluem condições econômicas, comportamento do consumidor e calendário favorável. Se bem aproveitado, 2026 pode representar não apenas picos pontuais de ocupação, mas um movimento contínuo de fortalecimento do turismo interno. Mais do que aumentar a ocupação e diárias dos hotéis, o desafio será transformar esses feriadões em experiências memoráveis que incentivem o turista a retornar mais vezes durante o ano. Para Neyre Freixo, o calendário de 2026 é bastante favorável para o turismo, especialmente para deslocamentos terrestres. “A maior parte do nosso público é formado principalmente por visitantes de Minas Gerais, São Paulo e interior do Rio. A expectativa é de um fluxo significativamente maior ao longo dos feriados prolongados, impulsionado pela combinação entre viagens regionais e a retomada do lazer como prioridade nas famílias”, conclui. “No orçamento das famílias, viajar saiu da coluna de lazer para dividir espaço com a coluna de saúde, porque viajar é saudável, viajar é muito importante para saúde mental, para você se desconectar um pouco”, corrobora Margot. Que ainda conclui dizendo que além da demanda positiva de feriados em 2026, é importante trabalhar o turismo internacional. “Esse turismo independe dos feriados no Brasil, são turistas que vêm, que gastam mais e permanecem mais dias. Acredito que o ano vai ser muito positivo para o mercado nacional. Não somente por causa dos feriados prolongados, mas temos o turismo corporativo, o turismo de eventos aquecido, as pessoas querendo se encontrar, querendo viajar mais, sejam turistas nacionais ou turistas vindos do exterior. O setor turístico está evoluindo, evoluindo em qualidade e isso é muito importante para o desenvolvimento do setor”, finaliza.

Feriadões de 2026 devem impulsionar o turismo no Brasil Feriados favorecem viagens curtas por via terrestre (Foto - Freepik.com)